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quarta-feira, abril 15

EBD 2º TRIMESTRE LIÇÃO 03: A INFÂNCIA DE JESUS









Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD




Texto Áureo Lc. 2.52  – Leitura Bíblica  Lc.46-49; 3.21,22


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito da infância de Jesus, reconhecendo, a princípio, que os evangelhos tratam muito pouco a respeito do assunto. Inicialmente mostraremos que como criança, Jesus cresceu fisicamente, mentalmente e espiritualmente. Em seguida, nos voltaremos para a juventude de Jesus, ressaltando sua dedicação com o serviço do Senhor. Ao final, refletiremos sobre o papel das crianças na igreja, fundamentados nas abordagens de Jesus, em relação aos pequeninos.

1. O CRESCIMENTO DE JESUS
Existem vários livros apócrifos que tratam a respeito da infância de Jesus, bem como algumas “biografias”, mas nenhum deles tem fundamentação evangélica, ou mesmo histórica. O evangelista que aborda de maneira mais detalhada a infância de Jesus é Lucas. De acordo com esse escritor sacro, Maria e José voltaram a Nazaré, para a casa onde moravam. Como Jesus era um nome comum entre os judeus, ele era denominado de Jesus, o nazareno (At. 2.22). Lucas destaca que o menino Jesus cresceu fisicamente, mentalmente e espiritualmente (Lc. 2.40, 52). Conforme alude Paulo, o Filho de Deus colocou-se na condição de servo (Fp. 2.1-11), sujeitando-se inteiramente ao Pai. Com base na palavra grega helikia, em Lc. 2.52, podemos afirmar que Jesus cresceu em estatura. O corpo, diferentemente do que assumem alguns cristãos, não é mau, antes é o tabernáculo do Espírito Santo (I Co. 3.16,17). O crescimento físico de Jesus deve inspirar-nos a cuidar bem do nosso corpo (Ef. 5.28). O texto também declara que Jesus cresceu em sabedoria, isto é, em conhecimento. Como homem, ele buscou desenvolver a psique, enchendo-se de sabedoria (Lc. 2.40). Assim como fez Jesus, e também orientou Paulo a Timóteo (II Tm. 3.15), devemos INVESTIR no crescimento mental, sobretudo por meio da meditação na Palavra de Deus, mas também lendo bons livros (II Tm. 4.13). O crescimento de Jesus envolveu também a dimensão espiritual, na graça de Deus. A palavra grega é charis, ressaltando o favor divino, a vida piedosa. Cristo sempre buscou intimidade com o Pai, se Ele assim o fez, não podemos desprezar o exercício da piedade (I Tm. 4.7).

2. A JUVENTUDE DE JESUS
Lucas registra apenas um episódio na juventude de Jesus, ressaltando a devoção dos seus pais, Maria e José. Era comum os judeus irem a Jerusalém todos os anos, a fim de observarem a Pascoa. Em sua narrativa, o evangelista descreve que Jesus estava com 12 anos, e teria ido a Jerusalém, para celebrar a páscoa. Na volta, após um dia de viagem, José e Maria certamente pensaram que Jesus estava em outro grupo, nas caravanas que faziam aquele percurso. Até que descobriram que tinham perdido o jovem, o que os deixou aflitos (Lc. 2.48). Quando Maria O encontrou, Ele estava entre os mestres do templo, discutindo as Escrituras, deixando-os admirados. Sua mãe O repreendeu por ter causado aquele transtorno, compreensível do ponto de vista materno. A resposta do jovem, no entanto, demonstra seu compromisso com a missão espiritual: “Por que me procuráveis? Não sabeis que me cumpria estar na casa de meu Pai? (Lc. 2.49). Na juventude Jesus teve consciência da sua relação com o Pai, Ele sabia que estava na terra para cumprir uma missão. O comprometimento de Jesus com o serviço do Pai serve de inspiração para os jovens da atualidade. Ele cresceu de maneira equilibrada (Lc. 2.52), sem extremismos, valorizando as diferentes facetas da humanidade, sem negligenciar a vontade de Deus (Mt. 6.33).

3. JESUS E AS CRIANÇAS
Durante Seu ministério terreno, Jesus sempre se identificou com as crianças, esse inclusive é um dos destaques do Evangelho segundo Lucas. Certa feita, quando quiseram desprezar as crianças que tentavam se aproximar dEle, citou o Sl. 8.2. Cristo deu liberdade às crianças, possibilitando que essas se achegassem a Ele (Mt. 19.14). Os cinco pais e dois peixinhos, usados por Jesus para realizar o milagre da multiplicação, foram trazidos por uma criança (Jo. 6.9). Muitas coisas Deus pode fazer através das crianças, devemos seguir o exemplo do Mestre, e dar oportunidades para que os pequeninos desenvolvam seu potencial. Aqueles que tentaram privar as crianças de se aproximarem do Senhor foram por Ele repreendidos (Mc. 10.14). Devemos de igual modo mostrar indignação quando as crianças forem privadas dos seus direitos, seja no contexto eclesiástico ou na sociedade em geral. O evangelista mostra o caso de uma criança que estava possessa por um espírito mau, que tentava destruí-la, mas que fora liberta por Jesus (Mc. 9.22). Tenhamos cuidado das crianças, para que essas não fiquem à mercê das forças do mal, sob a influência dos programas televisivos e jogos de vídeo game. O Jesus dos evangelhos, chama as crianças para junto de Si, Ele as atrai graciosamente (Lc. 18.16). Jesus ressuscitou a filha de Jairo, demonstrando interesse por ela, ainda que fosse desprezada pela sociedade (Lc. 8.54).

CONCLUSÃO
Jesus foi criança, e também jovem, e compreende os desafios inerentes a esse período de amadurecimento. A identificação do Mestre com as crianças e jovens serve de inspiração para que os cristãos busquem atrair essas pessoas ao convívio da comunidade cristã. Não podemos esquecer que quando os discípulos disputavam entre si, a respeito de quem seria o maior, Jesus pôs uma criança no meio, destacando que quem quisesse ser o maior, que fosse como uma criança (Mt. 18.1-6).

BIBLIOGRAFIA
MARSSHALL, I. H. Luke: historian and theologian. Downers Grove: IVP, 1998.
WEIRSBE, W. Be compassionate (Luke 1-13). Colorado Springs: David Cook, 1988.

EBD 2º TRIMESTRE LIÇÃO 02: O NASCIMENTO DE JESUS





Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD







Texto Áureo Lc. 2.7  – Leitura Bíblica  Lc.2.1-7


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos sobre o nascimento de Jesus, destacaremos que o milagre da encarnação foi singular, e trouxe implicações diretas para a vida dos cristãos. Inicialmente meditaremos a respeito do nascimento propriamente dito, e o contexto no qual ocorreu. Em seguida, nos voltaremos para aqueles que testemunharam essa ocorrência, notadamente os anjos e pastores. Ao final, faremos uma interpretação teológica, do significado desse episódio para história da humanidade.

1. O NASCIMENTO
Cesar Augusto era o governante da Palestina, talvez como político pensasse que estava no controle das situações. Mas Deus, em Sua soberania, estava regendo todas as coisas, usando inclusive o imperador para levar Maria e José até Belém, uma pequena cidade da Judeia que distava cerca de 130 quilômetros de Nazaré. Aquele casal, após receber a revelação do anjo, aprendeu a depender da orientação divina. Maria declarou: “que se cumpra em mim conforme a tua palavra” (Lc. 1.38). O anjo Gabriel foi enviado a Nazaré, onde moravam José e Maria, sendo ela ainda noiva daquele. O anjo anunciou a Maria que ela teria um filho, sem que tivesse relações sexuais, quando descesse sobre ela o Espírito Santo (Lc. 1.35). O nascimento de Jesus, por conseguinte, foi sobrenatural. Nossas vidas, assim como a de Maria, devem estar nas mãos de Deus, nada deve nos dissuadir da fé (Hb. 11.1,6). Não podemos esquecer que Deus está no comando da história, portanto, não temos motivos para temer o futuro. Ele é o Deus dos impossíveis, aquilo que o homem não pode fazer, o Senhor é capaz, pelo Seu poder. Quando Jesus estava para nascer, não houve lugar nos alojamentos de Belém. Restou um estábulo, no qual se encontrava uma manjedoura, que Lhe serviu de berço. Aquele objeto era uma espécie de cocho para os animais (Lc. 2.7-16), naquele pequeno recipiente se encontra o próprio Deus. Em Belém, cujo nome em hebraico significa “casa de pão”, nasceu aquele que é o “Pão da vida” (Jo. 6.35). Nele encontramos a plenitude da divindade (Cl. 2.9).  Em Cristo, o Verbo se fez carne, e habitou no meio de nós, cheio de graça e de verdade (Jo. 1.1,14), esvaziando-se, e assumindo a condição de servo (Fp. 2.7).

2. ANJOS E PASTORES
Quando Jesus nasceu os anjos se maravilharam, por isso Paulo se referiu a esse acontecimento ressaltado a grandeza do mistério da piedade (I Tm. 3.16). A mensagem chegou primeiramente aos pobres, um grupo de pastores desconhecidos, que se encontrava no campo. O evangelho alcança prioritariamente os pobres, aqueles que são considerados ESCÓRIA da sociedade (Lc. 1.51-53; I Co. 1.26-29). Esses pastores testemunharam a glória do evento, o cumprimento da revelação angelical: “Eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo”. Essa declaração nos mostra que a salvação é para todos, que se trata de uma notícia de paz, que nos traz grande alegria. Conforme declarou o filósofo Epiteto, “o imperador pode fazer cessar a guerra, dando paz a terra e aos mares, mas não é capaz de fazer cessar a paixão, aflição e inveja. Não é capaz de dar a paz ao coração, pela qual o homem anseia mais do que qualquer outra paz interior”. Jesus é o Príncipe da paz (Is. 9.6), Ele prometeu nos dá a paz que o mundo não conhece (Jo. 14.27), essa paz é produzida em nós pelo Espírito (Fp. 4.7). O evangelho de Jesus Cristo, ainda que alguns religiosos queiram transformá-lo em más notícias, é uma mensagem alvissareira, que deve nos fazer saltitar de alegria. Os pastores foram impactados pela boa-nova, o espanto da visitação de Deus aos homens deve sempre ser motivo de espanto. Como declarou certo pregador, após a nave espacial Apolo 11 pousar o solo lunar, “o maior acontecimento de todos os tempos não foi o homem ter pisado na lua, mas Deus ter pisado na terra em Cristo Jesus”. Devemos, assim como fizeram os pastores ao encontrar a criança, adorá-Lo, em gratidão pela sua graça maravilhosa (Lc. 2.13,14).

3. O SIGNIFICADO
Jesus nasceu sob a lei, obedecendo a seus preceitos (Gl. 4.1-7), de modo que Ele não veio para abolir, mas para cumprir a lei (Mt. 5.17,18).  Por isso fez-se necessário que Ele fosse circuncidado ao oitavo dia, mostrando Sua ligação com o pacto abraaonico (Gn. 17). O nome da criança traz um significado profundo “Yahweh é a salvação” (Mt. 1.21). Jesus não foi apenas um iniciador religioso, muito menos um líder revolucionário. A vinda de Jesus a terra é a manifestação do próprio Deus, que se fez gente a fim de salvar a humanidade do pecado (Lc. 2.10). Os antigos aguardavam ansiosamente a vinda do Messias prometido. Simeão e Ana representam essa expectação, que se cumpriu em Cristo (Lc. 2.29). Simeão, em sua idade avançada, identificou Jesus como “a consolação de Israel”. Ele somente pode fazê-lo porque estava em consonância com a Palavra de Deus. Somente os que se firmam nas Escrituras podem testemunhar o cumprimento das promessas divinas. A morte e a ressurreição de Jesus trariam dores para Maria, mas através desses eventos, o mundo seria salvo do pecado (I Tm. 2.5,6). Ana, uma mulher cujo nome significava graça, também de idade avançada, foi uma das 43 mulheres citadas no evangelho segundo Lucas. Ela se encontrava no templo, uma pobre viúva que colocava sua esperança em Deus. Aquela mulher idosa foi usada pelo Senhor para transmitir a mensagem salvadora do Senhor. As vidas de Simeão e Ana mostram o significado que os idosos têm no reino de Deus, ninguém despreze as pessoas idosas por causa da sua idade avançada. Devemos fazer coro às palavras do salmista: “na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes” (Sl. 92.14).

CONCLUSÃO
O nascimento de Jesus foi um evento singular, com significado especial para todos aqueles que creem. Ele foi desprezado até mesmo em Seu nascimento, mas aprouve a Deus revelá-Lo aos pobres, aqueles que se consideravam indignos. Ainda hoje, todos aqueles que se dobram diante dessa mensagem, jubilam com a declaração angelical, reconhecendo que essa é uma boa notícia, que enche nossas almas de paz, e que nos traz grande alegria.

BIBLIOGRAFIA
GREEN, J. The theology of the gospel of Luke. Cambridge: CUP, 1995.
WEIRSBE, W. Be compassionate (Luke 1-13). Colorado Springs: David Cook, 1988.

segunda-feira, abril 6

EBD 2º TRIMESTRE LIÇÃO 01: O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS





 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD








Texto Áureo Lc. 1.4 – Leitura Bíblica  Lc. 1.1-4



INTRODUÇÃO
Este trimestre da Escola Bíblica Dominical será predominantemente cristocêntrico. Estudaremos o evangelho segundo Lucas, enfocando a vida e o ministério de Jesus. Na aula de hoje faremos uma incursão sobre os aspectos contextualizadores desse livro: autoria, data, local e destinatário. Trataremos também a respeito do gênero, contexto e ênfase teológica. Ao final, ressaltaremos a pessoa de Jesus na teologia lucana, como Servo e Filho do Homem.

1. AUTORIA, LOCAL, DATA E DESTINATÁRIO
Esse evangelho não explicita diretamente quem teria sido o autor do livro. Irineu, um dos pais da igreja, escreveu que “Lucas, companheiro de viagem de Paulo, registrou o evangelho por este pregado em um livro”. O médico amado, como ficou conhecido esse evangelista, escreveu depois da ascensão de Jesus, durante o período que acompanhava Paulo em suas viagens missionárias (Cl. 4.14; Fm. 24; II Tm. 4.11). O autor se aproxima da teologia paulina, principalmente em relação à universalidade da salvação (Lc. 4.27; 24.47), a necessidade da fé para a salvação (Lc. 8.12; 18.8), o amor de Deus pelos pecadores (Lc. 15.11), bem como a identificação de Jesus como Senhor (Kyrios em grego). Como Paulo, Lucas não viu o Senhor em carne, por isso dependeu de informações coletadas. Esse evangelho foi escrito por volta do ano 60 d. C., provavelmente fora da Palestina, considerando que Lucas era um cristão gentio. Os estudiosos admitem que Mateus tenha escrito para os judeus, Marcos para os romanos, e Lucas para os gregos. O evangelista destinou o seu livro a Teófilo, um homem culto e influente, a quem também dedicou o livro de Atos (At. 1.1-4). É possível que Teófilo tenha recebido a fé cristã, e tenha sentido a necessidade de conhecer melhor o Salvador. Esse deveria circular entre os gentios, a fim de que todos os povos fossem alcançados pela graça salvadora de Jesus Cristo.

2. DIVISÃO, GÊNERO E ÊNFASE TEOLÓGICA
Esse evangelho, diferentemente dos demais, inicia com um prólogo, no qual o autor expõe o material que dispôs para escrever (Lc. 1.1-4). O autor destaca, em sua narrativa, a infância de Jesus, dando atenção especial também às mulheres e aos pobres. O texto pode ser assim dividido: Introdução (1.1-4.13), o ministério de Jesus na Galileia (4.14 – 9.50), relato de viagem e sermões (9.51-19.27) e o ministério de Jesus em Jerusalém (19.28 – 24;53). No texto grego esse evangelho é o maior livro do Novo Testamento, com aproximadamente 96 páginas, sendo caracterizado por um estilo literário mais refinado, bastante próximo do grego que lembra a erudição da Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamento hebraico. A fim de evitar confusão em relação à cultura judaica, o autor deixa de enfocar aspectos tratados nos outros sinópticos, tais como os sentimentos de Jesus (Lc. 6.10; 18.22), a cura de Jesus pelo toque (Lc. 6.19;b5.13), entre outros. Logo no início Jesus é identificado como Kyrios, o Senhor (Lc. 5.8; 7.13; 10.1,41; 22.61). A narrativa lucana é caracterizada pela acuidade histórica, pois mesmo não tendo sido uma testemunha ocular, busca informações confiáveis das testemunhas oculares. Ele investigou tudo cuidadosamente, “desde o princípio” (1.3), com a meticulosidade de um historiador. O resultado pode ser identificado na exposição de relatos desconsiderados nos outros evangelhos, tais como a infância de Jesus, a pesca maravilhosa, o chamado de Pedro, as parábolas da ovelha perdida, moeda perdida e do filho perdido, do rico insensato, do administrador infiel, do fariseu e do publicano, entre outros. Lucas também é considerado um evangelista pentecostal, considerando suas alusões ao Espírito Santo, tanto no evangelho quanto em Atos.

3. JESUS, O HOMEM PERFEITO EM LUCAS
O tema central do evangelho segundo Lucas é Jesus Cristo, reconhecido como o Senhor (Lc. 2.1), e o Homem Perfeito (Lc. 5.24). Em sua narrativa Lucas ressalta a identificação de Jesus com os marginalizados, notadamente as mulheres, as crianças e os pobres. Os pecadores que eram desprezados pela sociedade eram acolhidos por Jesus (Lc. 5.1; 7.36) Até mesmo os samaritanos, que eram desdenhados pelos judeus, são alcançados pela graça de Cristo (Lc. 10.30). Lucas mostra que o amor de Deus se destina a todos, principalmente aos grupos minoritários, como os pobres. Historicamente, o autor responsabiliza a liderança judaica, em consonância com as autoridades romanas, pela morte de Jesus (Lc. 20.20,26; 23.2-25). Lucas utiliza expressões messiânicas, que aludem à divindade de Jesus, como Deus Verdadeiro. Ele faz referência ao título “Filho do Homem”, que Jesus atribuiu a Si mesmo, a fim de demonstrar sua natureza humana. Por outro lado, o Senhor também estava ciente da Sua natureza divina (Lc. 2.4-52), sendo Ele o modelo de Homem Perfeito, que enfrenta e derrota Satanás (Lc. 4.1-13). Como Homem Perfeito, Jesus dependeu da atuação do Espírito Santo, realizando por intermédio dEle, milagres e maravilhas (Is. 11.1,2; 42.1). O Messias tinha uma missão a cumprir, e essa seria realizada pelo poder do Espírito (Lc. 4.16-19; Is. 61.1). Jesus não deixou de ser Deus ao se fazer Homem, mas abdicou das prerrogativas de usar Seu poder para fazer milagres, dependendo dos dons do Espírito Santo.

CONCLUSÃO
Que dizem ser o Filho do Homem? Perguntou certa feita o próprio Jesus (Mt. 16.13-20). A resposta a esse pergunta é crucial a fim de distinguir uma cristologia falsa ou verdadeira. Ao longo das próximas aulas estudaremos com maiores detalhes a respeito da vida e ministério de Jesus, com base no evangelho segundo Lucas. Esperamos que, ao longo das próximas semanas, possamos reconhecer o senhorio de Cristo, como fez Tomé, prostrando-se aos Seus pés, chamando-O de “meu Senhor, e Deus meu” (Jo. 20.28).

BIBLIOGRAFIA
GREEN, J. The theology of the gospel of Luke. Cambridge: CUP, 1995.
STRONSTAD, R. The charismatic theology of St. Luke. Grand Rapids: Baker Academics, 2012.

quinta-feira, março 26

Pr: João de Deus Convida a Todos para Reunião de Obreiros





EBD 1º TRIMESTRE LIÇÃO 13: A IGREJA E A LEI DE DEUS





Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD




Texto Áureo Rm. 3.31 – Leitura Bíblica  Mt. 5.17-20; Rm. 7.7-12


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje, a fim de reforçar as orientações apresentadas, refletiremos a respeito da relação entre lei e graça no contexto da igreja. Inicialmente meditaremos sobre o significado da lei de Deus para os israelitas, em seguida, analisaremos a abordagem de Jesus no que tange à lei, e ao final, compararemos o papel da lei e da graça para a igreja. Concluiremos mostrando que os Dez Mandamentos se aplicam à igreja, mas que são cumpridos no amor-agape.

1. A LEI DE DEUS
A revelação da lei de Deus deixou os israelitas atônitos, de acordo com o registro bíblico, “todo o povo viu os trovões, e os relâmpagos, e o sonido da buzina, e o monte fumegando; e o povo, vendo isso, retirou-se e pôs-se de longe” (Ex. 20.18). Isso aconteceu depois que o Senhor desceu sobre o monte Sinai, de modo que aquele povo pode testemunhar a glória de Deus (Ex. 19.18). Diante daquela manifestação gloriosa –  shekinah – o povo se distanciou do lugar, permanecendo distante. Isso tem a ver com a demonstração da grandiosidade divina, e na limitação humana. Os israelitas interpretaram a lei como instrumento de julgamento, deixando de atentar para seu lado positivo (Ex. 20.19). Com base nessa tradição, uma ala do judaísmo preferiu um relacionamento distante de Yahweh. Ele chegaram a pedir a Moisés que intercedesse por eles, não queriam ouvir a revelação diretamente de Deus (Ex. 20.19). Foi nesse contexto que Moisés se colocou como mediador entre Deus e os homes, assumindo a condição de profeta. Esse testemunho é dado em Dt. 5.5 “naquele tempo, eu estava em pé entre o Senhor e vós, para vos notificar a palavra do Senhor, porque temestes o fogo e não subistes ao monte”. O povo teve dificuldade de compreender o espírito da lei, ao invés de vê-la como uma dádiva, para evitar que eles pecassem, e fossem destruídos, assumiram apenas o lado negativo (Ex. 20.20). Nos tempos de Jesus muitos religiosos interpretaram erroneamente a Lei, tornando-a um fardo para as pessoas. O legalismo presente em algumas igrejas evangélicas é um reflexo desse equívoco.

2. JESUS E O CUMPRIMENTO DA LEI
A própria Lei tem seus limites, ninguém é capaz de guarda-la, estamos fadados ao fracasso, pela condição pecaminosa. É justamente por esse motivo que Paulo explica que nenhuma carne será justificada diante de Deus pelas obras da Lei. O próprio Apóstolo deixa claro que o papel da Lei e apenas revelar o pecado (Rm. 3.20). Tiago reforça esse argumento ao declarar que qualquer que tropeçar em um só ponto da lei torna-se culpado de todos (Tg. 2.10). A lei pode apenas condenar, ela não tem poder para salvar, identifica a doença, mas não provê o remédio. Por isso temos a necessidade de um melhor Mediador, providenciado pelo próprio Deus. A providência divina é atestada por Paulo, afirmando que há apenas um Mediador entre Deus e os homens (I Tm. 2.5,6). Por meio de Cristo Deus providenciou o que a lei não pode fazer (Rm. 8.3), dando-nos um Mediador superior a Moisés (Hb. 3.3; 8.6; 9.15; 12.22-24). Isso significa que não estamos sem Lei para Deus, estamos agora debaixo da Lei de Cristo (I Co. 9.21). A obra redentora de Cristo cumpriu a Lei, Ele mesmo declarou que não veio para destruir a lei, mas para cumpri-la (Mt. 5.17,18). Na sua morte Jesus cumpriu a lei cerimonial (Mc. 27.50,51;Lc. 24.46), bem como as instituições festivas e sacrificiais (Hb. 5.4,5; I Co. 5.7). Em consequência disso não nos cabe mais ficar presos às cerimônias do culto judaico, como apregoam algumas igrejas judaizantes (Cl. 2.17).

3. LEI E GRAÇA
A lei é boa e santa, serve para mostrar o pecado (Gl. 3.11,24,25), mas não pode libertar o homem do pecado (Rm. 7.12). Após a regeneração o cristão se coloca na dependência do Espírito Santo, e passa a produzir Seu fruto (Gl. 5.22). A produção do fruto do Espírito resulta no processo de santificação (Rm. 8.1-7). Por meio dEle nos tornamos cumpridores de toda a lei, na medida em que demonstramos amor a Deus e ao próximo (Mc. 12.28-33), nisso se resume a lei e os profetas (Mt. 22.40). A igreja segue a Lei de Cristo, que se concretiza no amor, não mais na lei mosaica (Rm. 6.14; 13.9,10; Gl. 5.18). De modo que, como dizia Agostinho, “ame a Deus e faça o que quiser”. Essa declaração reflete a prática do cristão debaixo da graça, que é o favor imerecido de Deus, tudo que fazermos deve ser motivado pelo ágape. Foi justamente isso que Jesus disse ao declarar que a justiça dos Seus seguidores deve exceder a dos escribas e fariseus (Mt. 5.20). Os religiosos do tempo de Jesus se firmavam na observância a preceitos externos, mas os seguidores de Cristo obedecem por amor (Jo. 14.21). Estamos libertos da lei mosaica, mas não estamos livres da Lei de Cristo (Rm. 3.28), mas por causa do amor que temos por Ele, e em reconhecimento da graça de Deus que nos alcançou, a obediência não nos é um fardo, pois sabemos que o jugo de Jesus é leve e suave (Mt. 11.28). Porque Ele nos amou primeiro, e provou entregando Sua vida por nós obedecemos com alegria (Jo. 3.16; Rm. 5.8; I Jo. 4.19).

CONCLUSÃO
Os dez mandamentos têm o seu valor para a igreja atual, principalmente se atentarmos para seus princípios imutáveis. Interpretá-los, à luz do evangelho de Cristo, considerando-O como Mediador superior a Moisés, possibilita aplicações que conduzem a uma vida santa. Mas todos esses mandamentos podem ser reduzidos ao agape, a expressão do amor divino dirige-nos para a obediência, com satisfação de estar no centro da vontade de Deus (Rm. 12.1,2).

BIBLIOGRAFIA
REIFLER, H. U. A ética dos dez mandamentos. São Paulo: Vida Nova, 1992.
RYKEN, P. G. Os dez mandamentos para os dias de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2014. 

EBD 1º TRIMESTRE LIÇÃO 12: NÃO COBIÇARÁS




Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD






Texto Áureo At. 20.33 – Leitura Bíblica  Ex. 20.17; I Rs. 21.1-5, 9, 10, 15, 16


INTRODUÇÃO
A cobiça está causando estragos à sociedade na qual vivemos, as pessoas estão pagando um preço elevado por causa desse pecado. Diante dessa realidade, nos voltaremos, na aula de hoje, para os perigos individuais e coletivos da cobiça. Inicialmente mostraremos que esse pecado acabou sendo naturalizado, sendo inclusive incentivado pela propaganda. Por fim, analisaremos os reflexos de uma sociedade gananciosa, e a necessidade de resgatar o princípio bíblico do contentamento.

1. UM PECADO NATURALIZADO
A cobiça é proibida no décimo e último mandamento, a palavra do Senhor é enfática: “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do eu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo” (Ex. 20.17). O verbo cobiçar, nesse mandamento, é chamad e expressa o desejo desenfreado de possuir algo ou alguém. Esse tipo de desejo é identificado no Jardim do Eden, quando Eva cobiçou comer o fruto proibido (Gn. 3.6). Com base em Ex. 20.17, é possível identificar vários tipos de cobiças: bens materiais, tais como carros luxuosos, e mansões bem localizadas. A indústria da beleza faz também com que as pessoas desejam possuir homens e mulheres com corpos esculturais. Há uma tendência à insatisfação, ninguém fica feliz com o último veículo que adquiriu, logo após colocá-lo na garagem, lamentam não ser igual ao do vizinho. Há aqueles que não se satisfazem com seu cônjuge, estão sempre em busca da mulher do próximo, resultando em adultério (Mt. 5.28). Em relação aos bens materiais, a igreja conseguiu institucionalizar a cobiça, denominando-a de prosperidade, que na verdade é ganância. Muitos crentes, influenciados pela teologia da ganância, pedem para satisfazer seus desejos descabidos (Tg. 4.13). As promessas alusivas à Israel, e que se concretizarão no Milênio, estão sendo tomadas individualmente por alguns crentes, que arrogam ser proprietários das “bênçãos” de Deus.

2. QUANDO A COBIÇA SE PROPAGA
Alguns crentes deixaram de medir as consequências da cobiça, não poucos estão endividados por seguirem a pauta da teologia da ganância. Tiago revela os estragos desse tipo de pecado, por causa dele pessoas estão contendendo umas com as outras (Tg. 4.1,2). O princípio da meritocracia tem seu lado positivo e negativo, é preciso ter cautela para não assumi-lo cegamente. Há aqueles que por acharem que merecem o que têm, defendem que podem desejar o que quiserem. Essa atitude é incitada pelos meios de comunicação, principalmente através da propaganda, para alimentar o consumo desenfreado.  Mas Jesus advertiu em relação ao pecado da cobiça, listando-o entre outros, tais como roubo, assassinato e adultério (Mt. 7.21,22). Entre aqueles que ficarão fora do reino de Deus, apresentados por Paulo em I Co. 6.9,10 estão os cobiçosos. Há exemplos bíblicos de problemas causados individualmente e coletivamente por causa da cobiça, as mais conhecidas são a de Acã  (Js. 7.21) e Acabe (I Rs. 21.1-3). No contexto do Novo Testamento, o desejo por possuir cada vez mais é uma demonstração de carnalidade, e mostra ausência do fruto do Espírito, considerando que um dos seus aspectos é o autocontrole (Gl. 5.16-22). Apelando mais uma vez a Tiago, sabemos que uma vez que a pessoa cultiva esse pecado no coração, o final será a ruína, que gera a morte (Tg. 1.14,15). Mas há aqueles, inclusive nas igrejas, que acham normal cobiçar, gostariam de estar na lista dos mais ricos da Revista Forbes. Paulo, no entanto, adverte que aqueles que querem ser ricos caem em tentação, em concupiscências loucas, que levam à perdição (I Tm. 6.9).

3. CULTIVE O CONTENTAMENTO
Os cristãos precisam fugir desse modelo mundano, que alimenta a ganância, e naturaliza a cobiça. Para tanto devem saber que “é grande ganho a piedade com contentamento” (I Tm. 6.6). Por isso, devemos aprender a cultivar a satisfação, saber distinguir o que é necessário do supérfluo. De modo que, conforme instrui o autor da Epístola aos Hebreus, nossos costumes devem ser sem avareza, contentando-nos com o que temos (Hb. 13.5). Essa é uma prática que se concretiza ao longo da experiência com Deus, ao aprendizado na dependência, sabendo que Ele nos provê “o pão nosso de cada dia” (Mt. 6.11). Na escola de Cristo, aprendemos, como fez Paulo, a estar contente com o que se tem, saber estar abatido pela privação, e se for o caso, a ter em abundância (Fp. 4.11-13). Por deixarem de cultivar essa disciplina cristã, muitos cristãos estão dobrados diante de Mamom (Mt. 6.24). Ao invés de investir neste mundo tenebroso, cuja riqueza perece, e causa ansiedade (Mt. 6.19-21), busquemos primeiro o Reino de Deus, e o necessário nos será dado (Mt. 6. 33). O texto, no seu devido contexto, nos diz que “estas coisas”, isto é, alimentação e vestimenta, não “todas as coisas”, como apregoa a teologia da ganância. Tenhamos cuidado para não dar primazia ao dinheiro em nossas vidas, pois a esse respeito alertou o Apóstolo que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (I Tm. 6.10). Uma vida cristã sadia não está pautada na cobiça, na insatisfação defendida pela sociedade, mas na gratidão ao Senhor, reconhecendo que Ele sempre nos dá mais do que mereceremos.

CONCLUSÃO
A cobiça está destruindo muitas vidas, até mesmo daqueles que são considerados evangélicos. Por causa da ganância muitos não conseguem mais encontrar satisfação, nem mesmo na presença de Deus. O Senhor revelou a Abraão que Ele, e somente Ele, é nossa maior recompensa, o Grande Galardão (Gn. 15.1). Quando encontramos plena satisfação em Deus, podemos trabalhar com afinco, buscar suprir as necessidades pessoais e familiares, mas sem nos tornar escravos do consumismo.

BIBLIOGRAFIA
GIRAO, W. B. How to live the way God wants. Mandluyiong: OMF Literature: 2010.
RYKEN, P. G. Os dez mandamentos para os dias de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

EBD 1º TRIMESTRE LIÇÃO 11: NÃO DARÁS FALSO TESTEMUNHO




Aula em Vídeo

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD




Texto Áureo Ex. 23.1 – Leitura Bíblica  Ex. 20.16; Dt. 19.15-20


INTRODUÇÃO
O nono mandamento tem a ver com a verdade, trata-se de um alerta necessário nos dias atuais, em que a mentira tenta prevalecer. No início da aula abordaremos a temática bíblica do falso testemunho. Em seguida, nos voltaremos para os males da mentira, e suas trágicas consequências. Ao final, mostraremos a importância de falar a verdade, sobretudo relativizando a Palavra de Deus, mesmo que no contexto social a mentira seja assumida como verdade.

1. O FALSO TESTEMUNHO
Esse é um mandamento que tem relação direta com o contexto jurídico. A testemunha mentirosa era abominação aos olhos de Deus. A palavra hebraica para esse mandamento é shaqar, usada especificamente para o falso testemunho em situações de juízo. Havia outra palavra hebraica, kachash, essa mais ampla, que se referia a qualquer tipo de mentira. Assim, esse mandamento poderia muito bem ser traduzido como: “não mentirás em juízo”. O objetivo desse mandamento era evitar abusos na condenação, e evitar que a pessoa fosse punida inocentemente. Por isso, o próprio Deus destacou que ninguém poderia ser condenado a menos que mais de uma testemunha atestasse o pecado (Dt. 19.15). Essa recomendação se aplicava principalmente nos casos de penas capitais, nos quais ninguém poderia ser condenado com base em apenas uma testemunha (Nm. 35.30; Dt. 17.6). Na execução da pena, aquele que acusasse o transgressor, deveria ser o primeiro a apedrejá-lo (Dt. 17.7). Esse procedimento responsabilizaria a testemunha, na medida em que possibilitaria sua execução, caso a pessoa fosse morta indevidamente (Dt. 19.18,19). Ao longo da Bíblia, a verdade tem proeminência sobre a mentira, por isso o salmista afirma que aqueles que falam a verdade, e não difamam com a língua, habitarão no tabernáculo do Senhor (Sl. 15.1,-3). A mensagem dos profetas também é contundente contra o falso testemunho, por isso cada um deveria falar a verdade (Zc. 8.16). Dentre os profetas, Oséias critica os israelitas, acusando-os de mentirem irresponsavelmente (Os. 4.2).

2.  OS MALES DA MENTIRA
A mensagem de Tiago é confrontadora em relação ao perigo da mentira, considerando que esse é um dos males provocados pela língua (Tg. 3.6). Alguns crentes não calculam os males que essa pode causar, seus estragos podem ser irreparáveis. Por isso também Paulo, em suas epístolas, admoesta as igrejas para fugirem da mentira (II Co. 12.20; Ef. 4.31). O livro de Provérbios traz sérias advertências em relação ao uso indiscriminado das palavras (Pv. 22.1). A fofoca, ao que tudo indica, é um dos males que não está apenas na televisão. Muitos cristãos estão usando a língua para difamarem os irmãos, em alguns casos sem lhes dar o direito à defesa. Mas é preciso ter cuidado também com aqueles que se aproximam com palavras lisonjeiras, pois na verdade estão querendo conduzir as pessoas à cova (Pv. 18.18). Jesus foi categórico quanto aos males da língua, por isso orienta que melhor que falar de alguém, é preferível ir até ele e discutir o assunto (Mt. 18.15). O Senhor também destacou que Satanás é mentiroso, na verdade é o pai da mentira (Jo. 8.44). Esse é o motivo pelo qual Deus odeia tanto o engano, e o abomina entre os fiéis (Pv. 6.16-19). Ananias e Safira pagaram o preço pela mentira, a hipocrisia deles, manifestada pela mentira, os levou à morte (At. 5.1-4). De igual modo muitos estão indo à ruina por causa das suas mentiras. Elas são tão maléficas que aqueles que a proferem ficarão de fora da cidade celestial (Ap. 21.8).

3. A VERDADE PREVALECE
Os cristãos devem ser reconhecidos por falarem a verdade, para tanto não podem pactuar com o falso testemunho (Mt. 5.37). Jesus ressaltou que aqueles que são dEle tem uma relação íntima com a verdade (Jo. 18.37), isso porque Ele mesmo é a Verdade (Jo. 14.6). Como seguidores da Verdade encarnada, devemos mostrar identificação com Ele, seguindo Seu exemplo (I Pe. 1.15,16). Por isso Paulo, em sua Epístola aos Efésios, conclama os crentes a abandonarem a mentira, e a falarem a verdade entre eles (Ef. 4.25). Mas a verdade não precisa ser falada de modo grosseiro, não podemos esquecer que podemos falar a verdade em amor (Ef. 4.15). Por viverem na verdade, os cristãos devem ser modelos de confiança, e ter cuidado para não relativizar os absolutos de Deus, conforme faz essa sociedade caída. Há muitos que estão pactuando uma ética diferenciada daquela exarada nas Escrituras. O Senhor adverte àqueles que querem transformar a mentira em verdade (Is. 5.20 ). Os fariseus do tempo de Jesus mentiam com suas vidas, exigiam das pessoas o que eles mesmos não praticavam (Mt. 23.27.28). A mentira pode ser demonstrada não apenas por meio das palavras, mas também através das vidas daqueles que desobedecem à palavra de Deus. Há crentes com uma vida dupla, eles agem diferentemente, dentro e fora da igreja. Exige-se dos cristãos coerência, se falam a verdade, devem também viver na Verdade.

CONCLUSÃO
A mentira campeia na sociedade, e não poucas vezes, por se repetir tanto, acaba sendo absolvida como verdade. Mas os crentes têm um critério para diferenciar a verdade da mentira, a Palavra de Deus. Com base nesta, devemos nos posicionamos em conformidade com Cristo, falando sempre a verdade em amor. O testemunho do cristão é sincero em seus relacionamentos, porque Ele se encontra debaixo do senhorio de Cristo, a Verdade que liberta (Jo. 8.32).

BIBLIOGRAFIA
GIRAO, W. B. How to live the way God wants. Mandluyiong: OMF Literature: 2010.
RYKEN, P. G. Os dez mandamentos para os dias de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2014. 

quinta-feira, março 5

EBD 1º TRIMESTRE LIÇÃO 10: NÃO FURTARÁS





Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD






Texto Áureo Ef. 4.28 – Leitura Bíblica  Ex. 20.15; 22.1-9


INTRODUÇÃO
Nesta aula estudaremos mais uma das dez palavras, trata-se de uma reflexão bíblico-teológica sobre o princípio da propriedade. Inicialmente, mostraremos a percepção bíblica do furto/roubo na Bíblia. Em seguida, nos voltaremos para os diferentes tipos de furtos/roubos na sociedade. Ao final, ressaltaremos a importância do trabalho, como forma legítima de sustento, além de dar glória a Deus.

1. O FURTO/ROUBO NA BÍBLIA
A palavra hebraica para “furtarás” é ganaf e significa, literalmente, “carregar algo, de forma sorrateira”. Tecnicamente furtar é se apoderar de algo que não pertence à pessoa. No contexto da sociedade judaica, esse verbo era usado para se referir ao arrombamento, assalto por meio de violência, pilhagem e sequestro, ou mesmo obtenção de recursos por meios indevidos. O verbo também tem a ver com peculato  - tomar fraudulosamente dinheiro ou bens de alguém; extorsão – receber dinheiro de alguém através de ameaça ou abuso de autoridade; e estelionato – obtenção de dinheiro ou recursos por meios ilegais. Como se pode perceber, ganaf tem um alcance bastante, de modo que abarca diferentes situações de furto e roubo na sociedade contemporânea. A partir de Lv. 19.9-13, é possível identificar também furtos na relação senhor e servo. Em termos aplicativos, existe o risco dos empregadores explorarem seus trabalhadores, retendo aquilo que lhes é de direito (Tg. 5.4). Por outro lado, os empregados não podem furtar seus empregadores. Antes devem trabalhar como ao Senhor, fazendo tudo para a glória de Deus (Cl. 3.20-23). O furto deve ser abandonado, ninguém deve agir com desonestidade, mesmo que essa prática seja considerada normal (Ef. 4.28). Os funcionários públicos que se envolveram em atos de corrupção devem seguir o exemplo de Zaqueu, e se arrependerem dos seus pecados (Lc. 19.8). 

2.   LADRÕES E LADRÕES
Acã é um exemplo bíblico de ladrão, quando o Senhor entregou Jericó nas mãos dos israelitas, Josué deu orientações para que ninguém se apropriasse do anátema (Js 6.16-19). Depois de seguir as instruções de Yahweh, o povo obteve êxito na empreitada, mas Acã resolveu desobedecer, e ficar com parte dos despojos da batalha (Js. 7.21). Talvez ele achasse que ninguém iria perceber, que o Deus de Israel não levaria isso em consideração. Mas os olhos do Senhor estão fitos nos atos pecaminosos dos homens. Ele viu o pecado de Acão, advertindo quanto às consequências para o povo (Js. 7.10-12). Existem ladrões e ladrões, todos são pecadores, e dignos do juízo divino. Contudo, há furtos/roubos que trazem maiores consequências à comunidade. Há quem pense que o desvio de determinadas quantias do erário público não causará grandes danos. A mídia alimenta essa crença, pois busca punição apenas para os ladrões que realizam pequenos furtos. Aqueles que roubam os mais pobres são acobertados, considerando que alguns têm foro privilegiado, e o controle dos meios de comunicação. Enquanto isso, milhares de pessoas estão nos corredores dos hospitais, tantas outras nas ruas sem emprego, e crianças sem uma educação pública de qualidade. Ao que tudo indica, o dinheiro é enviado para atender às demandas sociais, mas acabam sendo desviados, a fim de favorecer determinadas empresas, que elegem aqueles que deveriam representar o povo. A democracia é uma conquista cristã, objetivando o equilíbrio entre os poderes executivo, legislativo e judiciário. Mas para isso precisamos investir  em seu avanço, defendendo urgentemente uma ampla reforma política. As grandes corporações não podem manobrar os partidos políticos, a fim de obterem enriquecimento ilícito, em detrimento dos recursos que deveriam ser destinados aos mais pobres. As campanhas eleitorais precisam ser mais econômicas, com controle de financiamento público e privado. Faz-se necessário por fim à impunidade, principalmente nos casos dos crimes “de colarinho branco”.

3. A DIGNIDADE DO TRABALHO
Ao invés de furtar ou roubar, a palavra de Deus direciona o ser humano ao trabalho, ressaltando sua dignidade (I Ts. 4.10-12), qualquer prosperidade decorrente de práticas ilícitas não é benção de Deus. É vergonhoso ver supostos cristãos na mídia orando, agradecendo a Deus por uma propina recebida. Os cristãos também são responsáveis pelo bem estar cultural, social e ambiental. Desde o início Deus deu a Adão a responsabilidade lavrar e guardar o jardim do Éden (Gn. 2.15), antes mesmo da Queda. Esse princípio se aplica aos crentes dos dias atuais. A nós é dada a missão de guardar o habitat, o meio ambiente no qual nos encontramos. Não estamos isentos da atribuição de cuidar do jardim, contribuindo para o processo de redenção da natureza, que se dará plenamente por ocasião da volta de Cristo (Rm. 8.22-24). Precisamos nos opor à cobiça e ao materialismo que resulta em ansiedade, um dos males da contemporaneidade (Mt. 6.24-34). A orientação bíblica é a de demonstrar amor ao próximo, promovendo a generosidade (Mt. 22.37-40). Ninguém deve ser impulsionado à preguiça (Pv. 6.10,11), nem tão pouco fazer apologia à pobreza (Pv. 30.8,9). Não somos adeptos da teologia da prosperidade (ou da ganância), e muito menos da privação (miséria), mas da provisão necessária. Devemos trabalhar com honestidade, a fim de obter uma condição financeira suficiente para o bem estar pessoal, familiar e social (I Ts. 4.11,12), agradecendo a Deus pelo pão nosso de cada dia (Mt. 6.11), aprendendo a cultivar o contentamento (Fp. 4.12), e exercitando a generosidade (II Co. 9.6-15).  

CONCLUSÃO
Jesus foi crucificado entre dois ladrões, um a sua direita e outra à esquerda (Mt. 27.38). Não se enganem existem ladrões em todos os lados, não apenas aqueles apresentados pela mídia. Um dos ladrões reconheceu o Seu pecado, e teve tempo para se arrepender (Lc. 23.42). Por causa disso, o Senhor prometeu que esse estaria com Ele no paraíso (Lc. 23.42,43). Há esperança para aqueles que comentem o pecado do furto/roubo, como Zaqueu poderão se arrepender dos seus pecados, e encontrar salvação em Cristo (Lc. 19.10).  

BIBLIOGRAFIA
BARCLEY, W. The ten commandments. Lousville: John Knox Press, 1998.
RYKEN, P. G. Os dez mandamentos para os dias de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2014. 
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