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quinta-feira, maio 21

EBD 2º TRIMESTRE LIÇÃO 08: O PODER DE JESUS SOBRE A NATUREZA E OS DEMÔNIOS





Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD





Texto Áureo Lc. 8.25  – Leitura Bíblica  Lc. 8.22-39


INTRODUÇÃO
Em sequência ao assunto estudado na aula passada, destacaremos hoje a atuação de Jesus sobre a natureza e os demônios. A princípio, mostraremos que as forças sobrenaturais existem, não são apenas invenções humanas, conforme defende a filosofia moderna. Em seguida, enfatizaremos que Jesus, o Senhor dos senhores, tem poder sobre os principados e potestades, e que Ele é Aquele a quem a natureza obedece.

1. AS FORÇAS SOBRENATURAIS
O mundo moderno está marcado pelas teorias cientificas, algumas delas decorrentes do racionalismo, produto da mente iluminista. Por causa disso, há aqueles que negam a existência da realidade sobrenatural, até mesmo de Deus. O ateísmo está na moda, as academias tentam dar explicações materialistas para todos os fenômenos. O mundo da Bíblia se tornou estranho para o homem distanciando da revelação. Em seu coração, o néscio diz que Deus não existe (Sl. 14.1), e por causa dessa incredulidade, muitos se entregam à devassidão. Reconhecemos, com base em Os Irmãos Karamazov de Dostoievsky, que nem todos os ateus são imorais, mas suas crenças podem conduzir outros à brutalidade. Não podemos reduzir a realidade à matéria, a natureza não é a única criação de Deus. Ele criou também os anjos, que são espíritos ministradores (Hb. 1.14). Na verdade o mundo visível surgiu do que não é visível, isso é o que nos revela a Palavra de Deus (Hb. 11.1). Em sua Epístola aos Efésios, Paulo adverte os crentes para que estejam preparados para enfrentar uma batalha espiritual, não contra a carne e o sangue, mas contra os principados e potestades das regiões celestiais (Ef. 6.12). Essa luta tem implicações cosmológicas, e teve seu princípio na rebelião de Satanás contra Deus (Is. 14.14), antes da criação da humanidade. Quando Jesus veio para terra, Ele enfrentou os demônios, alguns deles associados a algumas enfermidades (Lc. 4.31-44). O Senhor expulsou muitos demônios que oprimia a vida das pessoas (Lc. 11.14).

2. OS DEMÔNIOS SÃO UMA REALIDADE
Os demônios continuam atuando neste planeta, as pessoas parecem esquecer essa realidade. Como Jesus fez no deserto (Lc. 4.1-13), precisamos também estar preparados para enfrentar as hostes da maldade. Não podemos esquecer que este mundo jaz no maligno (I Jo. 5.19), e que o Deus deste século cegou o entendimento das pessoas (II Co. 4.4). Precisamos, portanto, nos munir com todas as armas espirituais, para resistir no dia mau (Ef. 6.10-12). No Evangelho segundo Lucas a autoridade de Jesus sobre os demônios é atestada em várias passagens (Lc. 4.41; 6.18; 9.42; 10.17,18). Não apenas esse Evangelho, mas toda a Bíblia, confirma a existência de forças sobrenaturais que se opõem ao Reino de Deus (Lc. 11.18). Por outro lado, não podemos fazer apologia ao Diabo, algumas igrejas ditas evangélicas exploram demasiadamente a doutrina dos demônios. Os demônios devem ser expulsos, tal como fez Jesus (Lc. 8.28), a Igreja continua tendo a missão de destruir as obras do Diabo (I Jo. 3.8; Mt. 10.1; Lc. 9.1). Mas nenhuma igreja foi chamada para fazer espetacularização das forças demoníacas. Ainda que essas atitudes deem ibope, não têm respaldo das Escrituras, os excessos podem resultar em escândalo para o Evangelho. Há igrejas que falam mais a respeito do Diabo do que de Jesus. Alguns pregadores, para causar frenesi na audiência, se referem ao demônio nove vezes, a cada dez palavras que pronunciam. A glória deve ser dada a Cristo, Sua cruz deve ser o assunto na pregação (I Co. 2.1-5), diante dEle as hostes satânicas se rendem (Lc. 8.28).

3. O PODER SOBRENATURAL DE JESUS
O poder sobrenatural de Jesus não foi demonstrado apenas sobre os demônios, mas também sobre a natureza. Isso mostra que o Senhor não está limitado às leis físicas, por isso pode ir além delas, não necessariamente contra elas. Um dos seus primeiros milagres, conforme registrado no Evangelho segundo João, foi o de transformar água em vinho (Jo. 2.1-11). Esse episódio não foi uma mágica, ou mesmo um truque como querem suspeitar alguns céticos, mas a atuação do poder do Espírito Santo no ministério de Jesus. Ele também acalmou uma tempestade, causando espanto aos  Seus discípulos para essa manifestação poderosa (Lc. 8.22-25). O poder de Jesus sobre a natureza deve nos tranquilizar em relação ao futuro, sabemos que Ele está no comando das situações, mesmo que não compreendamos. É importante esclarecer que a natureza, no estado atual em que se encontra, depois do pecado de Adão e Eva, carece de redenção (Rm. 8.22). Por esse motivo, testemunhamos de vez em quando algumas catástrofes, que revelam essa condição da natureza. No futuro, quando Cristo vier reinar, a natureza será reestabelecida ao seu estado, não havendo mais terremotos ou enchentes (Is. 11). Jesus demonstrou também aos Seus discípulos o Seu poder sobre a natureza quando andou sobre as águas (Mc. 6.45-52). Na ocasião chamou a atenção dos discípulos para que tivessem fé a fim de que os milagres acontecessem. Os dons espirituais, inclusive o da fé para realizar maravilhas está à disposição dos crentes, faz-se necessário que eles deem o devido valor.

CONCLUSÃO
Poderíamos elencar muitos outros milagres realizados por Jesus, que comprovam sua messianidade, sobretudo o domínio sobre a natureza. Ele multiplicou pães (Mt. 15.32-38), secou uma figueira (Mc. 11.11-14,20-25), possibilitou uma pesca maravilhosa (Lc. 5.1-11), entre outros. A realização desses milagres, e o poder de Jesus sobre os demônios, inspiram nossa confiança, e reconhecimento que Ele tem todo o poder no céu e na terra (Mt. 28.18). Podemos então descansar diante das adversidades da vida, sabendo que o Senhor está no comando do barco.

BIBLIOGRAFIA
MARSSHALL, I. H. Luke: historian and theologian. Downers Grove: IVP, 1998.
STRONSTAD, R.  The charismatic theology of St. Luke. Grand Rapids: Baker Academics, 2012.

sexta-feira, maio 15

EBD 2º TRIMESTRE LIÇÃO 07: PODER SOBRE AS DOENÇAS E MORTE




Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD




 Texto Áureo Lc. 7.16  – Leitura Bíblica  Lc. 4.38,39; 7.11-17



INTRODUÇÃO
O Evangelho segundo Lucas destaca o poder de Deus sobre as doenças e a morte. Na aula de hoje nos voltaremos para esse importante assunto. Inicialmente estudaremos essas duas realidades no contexto bíblico. Em seguida, enfatizaremos esses temas especificamente na teologia lucana. Ao final, mostraremos que o Deus da Bíblia continua tendo poder sobre doenças e a morte.

1. DOENÇAS E MORTE NA BÍBLIA
As doenças e enfermidades resultam do pecado, por causa da desobediência dos primeiros pais, herdamos essa condição (Gn. 3.19; Rm. 5.12). Apesar dos esforços da sociedade moderna, no intuito de evitar que as doenças cheguem, e que a morte seja postergada, essas são inevitáveis (Hb. 9.27). Em algumas passagens bíblicas há fundamento para a existência de enfermidade como consequência do julgamento divino (Dt. 28.21; Jo. 5.14), ou mesmo por Satanás, quando permitido por Deus (Jó. 2.7). Mas essa realidade não pode ser generalizada. Nem todas as doenças são decorrentes de algum tipo de pecado, esse foi justamente o equívoco dos amigos de Jó (Jó. 42.7). Ao contrário do que defendem alguns movimentos, a Bíblia não se opõe à consulta aos médicos (Jr. 8.22; Mt. 9.12; Lc. 4.23). Mas devemos também buscar a cura divina, confiar que o Deus da Bíblia ainda cura (II Rs. 20.1-3; Tg. 5.14; Hb. 13.8). Em relação à morte, conforme já apontamos anteriormente, teve seu início a partir do pecado de Adão (Gn. 3.19; I Co. 15.21,22), sendo, portanto, consequência do pecado (Gn. 2.17; Rm. 5.12). A morte representa o final dos projetos humanos na terra (Ec. 9.10), e o distanciamento dos bens terrenos (I Tm. 6.7), a morte nivela todas as pessoas (Jó. 3.17-19). Cristo foi o Único a vencer a morte (Rm. 6.9; Ap. 1.18). Por isso Ele mesmo aboliu a morte (II Tm. 1.10), sendo esta a última inimiga a ser vencida (I Co. 15.26). Por isso não temos mais motivos para temer a morte, pois Cristo a venceu na cruz (Hb. 2.15). Mesmo aqueles que morreram ressuscitarão, para viverem eternamente com Cristo (I Ts. 4.13-18).

2. DOENÇAS E MORTE NO EVANGELHO DE LUCAS
No Evangelho segundo Lucas, Jesus é Aquele que tem poder sobre as doenças e a morte. Há passagens em sua narrativa que explicam o poder do Senhor sobre a doença e a morte. Em Lc. 4.38,  Jesus curou a sogra de Simão, que estava enferma com muita febre, de modo que essa pode começar a servi-LO. Indo a cidade chamada Naim, Jesus encontrou uma mãe angustiada, com a morte de seu único filho, sendo esta também viúva. Jesus, movido de íntima compaixão, a consolou, em seguida tocou o esquife, e ressuscitou o seu filho (Lc. 7.11-13). Em Lc. 8 lemos a respeito de Jairo, um oficial da sinagoga, que sofria com a doença e possibilidade de morte da sua filha, de apenas doze anos (Lc. 8.40). Mesmo sendo uma autoridade, Jairo se humilhou aos pés de Jesus, implorando para que Ele resolvesse sua situação (Lc. 8.40-42). Ao mesmo tempo, uma mulher que estava próxima de Jesus, tinha uma doença, que causava sangramento, e que duravam doze anos (Lc. 8.43). A situação dessa mulher era de desespero, ela já havia gastado muito dinheiro com os médicos, nenhum deles havia conseguido curá-la (Mc. 5.26; Lc. 8.43). Aquela enfermidade a tornava impura, por causa do cerimonial de purificação judaico. Mesmo assim, ela decidiu tocar em Jesus, e encontrou cura nEle. Jairo também recebeu a providência divina diante da doença da sua filha, ainda que o pensamento humanista da época, dizia que o Mestre não deveria ser incomodado, pois a menina já estava morta (Lc. 8.49,50). Mas Jesus, que tem poder sobre as doenças e a morte, ressuscitou a menina (Lc. 8.51-53).

3. PODER DE DEUS DIANTE DAS DOENÇAS E MORTE
Jesus continua tendo todo poder sobre as doenças e a morte, milagres ainda podem acontecer nos dias atuais. Por isso, os crentes podem clamar ao Senhor, pedindo cura das enfermidades, os presbíteros da igreja devem ungir e orar pelos enfermos (Tg. 5.15). Na Antiga Aliança o Deus de Israel era reconhecido como o Jeová-Rafah, ou seja, o Senhor-que-Cura (Ex. 15.26). Jesus de Nazaré foi ungido por Deus, para curar as pessoas, inclusive àquelas que eram oprimidas pelo Diabo (At. 10.38). O salmista reconhece que o Deus de Israel é Aquele que cura as pessoas de todas as enfermidades (Sl. 103.2,3). As curas são possíveis porque Jesus, o Servo Sofredor de Jeová, foi ferido pelas nossas enfermidades (Is. 53.5; Mt. 8.16,17; I Pe. 2.24). A cura pode ser recebida através da oração da fé (Sl. 30.2), ainda que somente sejam curadas as pessoas a quem Deus soberanamente decide curar (II Co. 12.9). Os crentes devem ser estimulados a buscar a cura divina através da oração (Mt. 14.15,16). A fé em Jesus, não a fé na fé, como apregoa a Teologia da Saúde, é a causa da cura (At. 3.16). É preciso saber também que a cura, às vezes, não acontece imediatamente, precisamos “andar” um pouco mais, e ter paciência (Lc. 17.12). Isso acontece porque o desenvolvimento do nosso caráter, a produção do fruto do Espírito é mais importante que a cura divina (Gl. 5.21,22). A ressurreição, ainda que não seja comum em nosso meio, pode acontecer. Vários irmãos e irmãs têm testemunhado essa experiência em suas vidas.

CONCLUSÃO
A cura das doenças, e a ressurreição dos mortos, é algo que ainda pode acontecer nos dias atuais. Mas esses acontecimentos, que devem ser buscados pelos crentes, e submetidos à soberania de Deus, apontam para uma dimensão escatológica. Isso porque aqueles que são curados das doenças, ou mesmo ressuscitados, passarão pela morte, a menos que sejam arrebatados. Mas quando Deus cura ou ressuscita alguém, está apontando para o futuro, no qual não haverá mais morte nem dor (Ap. 21.3,4).

BIBLIOGRAFIA
GREEN, J. The theology of the gospel of LukeCambridge: CUP, 1995.
MARSSHALL, I. H. Luke: historian and theologian. Downers Grove: IVP, 1998.

domingo, maio 10

Serra do Mel Comemora neste dia 12 o dia do Evangélico, e 27 Anos de Emancipação Politica





Na noite da próxima terça feira, a cidade de serra do mel estará comemorando 27 anos de emancipação politica, entre tantos eventos alusivos as comemorações teremos o tradicional culto de agradecimento; onde estaremos comemorando também o dia do evangélico.

O culto começará as 19:00 Hs com participação de todos os evangélicos da cidade juntamento com seus respectivos Lideres, contara em especial com a presença do preletor Robson Viana pastor da cidade lagoa de pedra próximo a capital do estado; alem dele apos o encerramento do culto o cantor Marcos Antonio estará se apresentando.



sábado, maio 9

Feliz Dia das Mães . . .


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Ser mãe é receber o dom Divino de gerar a vida. Mas muito mais que isso, ser mãe é ter o dom supremo do amor incondicional (I Coríntios 13), pois muitas mulheres, mesmo sem ter gerado filhos fisicamente, são capazes de amar, mesmo quem não viu nascer. Se você é mãe, saiba que foi Deus quem permitiu a vida nascer dentro de você e esta presença continua em você te capacitando para amar.


Parabéns para todos as Mães . . .

quarta-feira, maio 6

EBD 2º TRIMESTRE LIÇÃO 06: MULHERES QUE AJUDARAM JESUS








Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD




 Texto Áureo Lc. 14.27  – Leitura Bíblica  Lc.14.25-35


INTRODUÇÃO
O evangelho segundo Lucas destaca a atuação de pessoas marginalizadas, dentre elas as crianças, as mulheres e os pobres. Na aula de hoje estudaremos a respeito do papel das mulheres no ministério de Jesus, notadamente na narrativa lucana. Ao final, avaliaremos, a partir de uma perspectiva neotestamentária, a atuação do ministério feminino na igreja de Jesus Cristo. Destacaremos que o evangelho é inclusivo, não fazendo diferença entre judeu ou gentio, macho ou fêmea, pois todos são um em Cristo (Gl. 3.28).

1. AS MULHERES NO MINISTÉRIO DE JESUS
No contexto da sociedade judaico-romana, no qual as mulheres eram colocadas em segundo plano, o cristianismo privilegiou a atuação feminina. Enquanto que os gregos desprezavam as mulheres, inclusive alguns dos mais conceituados filósofos, Jesus dignificou a posição social das mulheres, ressaltando o papel delas na vida pública. Ao contrário dos que era defendido em Sua época, Jesus reafirmou que homem e mulher foram feitos uma só carne (Gn. 2.24; Mt. 19.3-9). Jesus se opôs à coisificação da mulher, transformando-a em mero objeto de desejo (Mt. 5.28), como ainda acontece na sociedade contemporânea. A preocupação de Jesus com as mulheres é digna de destaque ao longo dos evangelhos. Ele curou a sogra de Pedro, possibilitando o retorno dela ao serviço (Mc. 1.30-31; Mt. 8.14,15; Lc. 4.38,39). Jesus mostrou interesse pela viúva de Naim, confortando-a em um momento de aflição (Lc. 7.11-15). O Senhor também curou uma mulher curvada por dezoito anos, defendendo-a das acusações dos religiosos (Lc. 13.10-17). Jesus curou uma mulher acometida de um fluxo de sangue, que sofria há vários anos (Mc. 5.22-29). Ele permitiu que uma mulher considerada pecadora ungisse seus pés (Lc. .36-50). Mesmo as prostitutas não foram desprezadas por Jesus, essas têm maior disposição para o arrependimento do que os religiosos (Mt. 21.31). O interesse inclusivista de Jesus atraiu mulheres que eram conhecidas como adúlteras na sociedade, orientando-as para que abandonassem os seus pecados (Jo. 4.4-42; Jo. 8.1-11).

2. AS MULHERES NO EVANGELHO DE LUCAS
Como apontamos anteriormente, algumas mulheres tiveram proeminência no ministério de Jesus, e essas são destacadas por Lucas no evangelho que traz o seu nome. Isabel, a mãe de João Batista, é destacada como uma mulher piedosa (Lc. 1.5-7). Maria, a mãe de Jesus, recebeu a visitação de um ajo, informando-lhe que ela seria a mãe do Salvador (Lc. 1.26-38; Lc. 2.5-7), e essa acompanhou o ministério do Seu filho até o fim (Lc. 8.19). Ana, a profetisa do templo, abençoou Jesus quando criança (Lc. 2.36-38). Maria e Marta, irmãs de Lázaro, serviam ao Senhor em Betânia (Jo. 11.5; Lc. 10.38). As mulheres acompanharam o ministério de Jesus, algumas delas contribuíam financeiramente para esse, dentre elas Maria Madalena, Joana e Susana (Lc. 8.1-3). Conforme destacamos anteriormente, Jesus curou várias mulheres: a sogra de Pedro (Lc. 4.38-39), uma menina de doze anos (Lc. 8.41-56), uma mulher com uma enfermidade por doze anos (Lc. 8.43-48), e uma mulher curvada por dezoito anos (Lc. 13.10-17). O exemplo de algumas mulheres é destacado no evangelho lucano: uma mulher pecadora que unge o Mestre e é perdoada (Lc. 7.37-50), a mulher da parábola da dracma perdida (Lc. 15.8-10), uma viúva que busca um juiz para obter justiça (Lc. 18.1-5) e uma viúva pobre que entrega duas moedas no templo (Lc. 21.1-4). As mulheres foram as primeiras a testemunharem a ressurreição de Jesus. Na verdade, elas O acompanharam durante a crucificação (Lc. 23.27,49), prepararam especiarias para ungir Seu corpo (Lc. 23.55,56), encontraram Jesus no túmulo vazio (Lc. 24.1-3), e a elas os anjos anunciaram que Jesus havia ressuscitado (Lc. 24.4-8).

3. A ATUAÇÃO DAS MULHERES NA IGREJA
Ao contrário do que defendem alguns críticos do Novo Testamento, Paulo foi favorável ao ministério feminino na igreja. Em I Co. 11 o apóstolo instruiu sobre como as mulheres deveriam orar e profetizar na igreja, respaldando esse ministério. Várias mulheres auxiliaram Paulo em seu ministério missionário (Rm.16.1). A utilização isolada da passagem bíblica de I Tm. 2.12-14 não pode ser usada para limitar a atuação da mulher na igreja, apenas para restringi-la. O texto diz que a mulher não deve ter “domínio sobre o homem”. O argumento bíblico é o de que a supremacia e a liderança do homem não é uma questão cultural, pois se baseia no princípio da criação, pois Deus criou primeiro o homem, em seguida, a mulher (I Co. 11.9; I Tm. 2.13). A Bíblia não orienta a escolha de mulheres para a posição do pastorado na Igreja, esse ministérioparece estar restrito aos homens (I Tm.3.2). No entanto, as mulheres não devem se sentir menosprezadas por isso. Deus, em Jesus Cristo, subverteu muitos padrões em Sua época em relação à mulher.  Elas eram desprezadas naquela cultura, mas não por Ele, que as tornou, juntamente com os homens, “um em Cristo” (Gl.3.28). O Espírito Santo concedeu a elas os dons espirituais (I Co.12), mediante o qual elas podem tomar parte na edificação do corpo de Cristo. Elas podem profetizar (At.2.17-18; 21.9), bem como ensinar  na igreja, como fazia Priscila, cujo ministério é destacado no Novo Testamento (At.18.26; Tt.2.4). 

CONCLUSÃO
A sociedade dos tempos de Jesus menosprezava as mulheres, mas o Senhor se opôs a esse preconceito, e atraiu várias mulheres para apoiar Seu ministério. O Evangelho segundo Lucas reforça a inclusão da mulher na dimensão evangélica, elas acompanhavam e sustentavam o ministério do Mestre. A maneira digna com a qual Jesus, inclusive o apóstolo Paulo, tratou as mulheres, deve servir de estímulo para que nós, os cristãos do tempo presente, façamos o mesmo, pois todos somos um em Cristo.

BIBLIOGRAFIA
GREEN, J. The theology of the gospel of Luke. Cambridge: CUP, 1995.
MARSSHALL, I. H. Luke: historian and theologian. Downers Grove: IVP, 1998.

quarta-feira, abril 29

EBD 2º TRIMESTRE LIÇÃO 05: JESUS ESCOLHE SEUS DISCÍPULOS



 

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD




Texto Áureo Lc. 14.27  – Leitura Bíblica  Lc.14.25-35


INTRODUÇÃO
O ensino é uma das principais tarefas da igreja cristã, para isso Jesus enviou Seus discípulos (Mt. 28.19,20). Na aula de hoje veremos que Jesus é o Modelo de Mestre, na verdade Ele é o Mestre dos mestres. Em seguida, destacaremos a realidade do discipulado, o chamado e a vocação para esse ministério. Ao final, ressaltaremos a missão dos discípulos de Jesus, que é prioritariamente, fazer novos discípulos de Cristo.

1. O MESTRE DOS MESTRES
Jesus, como reconheceu Nicodemos, foi um Mestre vindo da parte de Deus (Jo. 3.1). Por esse motivo Seus ensinos estão fundamentados na autoridade divina. Conforme Ele mesmo expressou, nEle se encontra a Verdade, a expressa revelação de Deus (Jo. 14.6). Por essa razão, as pessoas que O ouviam ensinar distinguiam a forma e o conteúdo, que se diferenciava daquela dos escribas da sua época (Mc. 1.22). O fundamento do ensinamento de Cristo era o serviço, Ele expressou em palavras e ações que veio para servir, não para ser servido (Mt. 20.29; Jo. 13). Existem muitas passagens bíblicas que identificam Jesus como pregador, mas na verdade Ele se destacou mais pelo ensino, não por acaso costumava ser chamado de Rabi (Jo. 3.2). Ele mesmo ressaltou Seu ministério de ensino (Jo. 13.13), os Seus seguidores eram identificados como alunos, o mais apropriadamente, discípulos (Mt. 5.2). O principal fundamento para o ensino de Jesus era as Escrituras, Ele apontava para os Escritos Sagrados como fonte de autoridade divina (Lc. 24.47). Como Mestre por excelência, Jesus conhecia o ser humano, Ele perscrutava a intimidade das pessoas (Mt. 9.4; 12.15). Essas características de Jesus, enquanto Mestre dos mestres, devem ser buscadas por todos aqueles que exercem o ministério do ensino na igreja. Não podemos esquecer que um dos dons ministeriais da igreja é o do mestre (Ef. 4.11), e aqueles que são vocacionados para tal devem demonstrar esmero (Rm. 12.7).

2. O CHAMADO AO DISCIPULADO
Jesus vocacionou algumas pessoas para permanecerem mais próximas dEle, a quem chamou de discípulos. É possível afirmar que existem os discípulos em sentido restrito, aqueles que foram vocacionados para uma missão mais específica, mais especificamente os doze. E os discípulos em sentido amplo, ou seja, todos aqueles que são chamados a ir após o Mestre. Em relação ao sentido restrito, os discípulos de Jesus foram chamados em momentos distintos, e de formas variadas. Jesus os chamou enquanto pregava e ensinava (Mc. 1.16-20), através da indicação de João Batista (Jo. 1.35-39), oferecimento pessoal (Lc. 9.57-62), desses Jesus compôs seu corpo de discípulos, os doze (Lc. 6.13-16). Para ser discípulo de Jesus seria preciso pagar um preço, o custo do discipulado implicava em custo. Jesus deixou claro que aqueles que quisessem ser Seu discípulo deveriam viver em renúncia (Mc. 16.24). Muitos queriam segui-Lo baseado na emoção, na empolgação do momento (Lc.14.25-27), sem atentar para a necessidade de carregar a cruz do discipulado. Isso ainda acontece nos dias atuais, muitos querem ser identificados como discípulos de Jesus, mas não se submetem aos ensinamentos dEle (Lc. 12.22-30). Ainda hoje, os verdadeiros discípulos de Jesus não fazem o que querem, mas o que o Senhor deseja que façam. Ser discípulo de Jesus significa viver a partir das declarações do Mestre, que se encontram reveladas nas páginas do evangelho. Há noções variadas a respeito de Jesus, a maioria delas distante do que expressa os evangelhos. Aqueles que querem conhecer Seu Mestre devem ler e reler os evangelhos, para compreenderem e viverem com base nos ensinamentos de Cristo (Jo. 15.14).

3. A MISSÃO DOS DISCÍPULOS
Os discípulos de Jesus têm uma missão a cumprir, a de propagar a mensagem do Reino de Deus (Mt. 4.23; Lc. 4.44). Viver a partir do Reino de Deus, e da sua justiça, deve ser o grande alvo de todo seguidor de Jesus (Mt. 6.33). Como seguidores de Cristo, não podemos mais adorar a nós mesmos, muito menos os valores do mundo, devemos viver para glória de Deus (Mt. 4.10). A ênfase no materialismo terreno, que é um dos principais valores da sociedade contemporânea, não é compatível com os valores do Reino de Deus (Mt. 6.20,21). A produção de frutos espirituais é o alvo principal daqueles que seguem após Cristo (Jo. 15.7-8). Isso se torna possível quando permanecemos nEle, quando ouvimos Suas palavras (Mt. 7.24,25), e nos dispomos a obedecê-la (Jo. 10.27; 14.23). O amor a Jesus acima de qualquer coisa, até mesmo de qualquer pessoa, é uma das características do verdadeiro discípulo (Mt. 10.37). A cruz do discipulado não pode ser desprezada, não existe um discípulo genuíno de Cristo sem cruz (Mt. 10.38,39). Alguns deles serão sacrificados por causa da sua disposição para segui-LO, mas como uma semente depositada na terra, gerarão muitos frutos (Jo. 12.24-25). O discipulado, como o próprio termo o determina, é uma vida constate de aprendizado, a fim de tomar o jugo de Jesus (Mt. 11.28-30). E finalmente, os discípulos de Jesus têm expectativas em relação ao futuro, eles não perdem a esperança mesmo nos momentos difíceis (Lc. 12.35-37).

CONCLUSÃO
Os discípulos de Jesus foram chamados para uma missão, a de proclamar e viver a partir dos valores do Reino de Deus. De igual modo, todos aqueles que seguem após Ele, devem viver com base nas palavras do Mestre. O custo do discipulado continua posto, os que quiserem segui-Lo devem continuar carregando a sua cruz, sobretudo negando a Si mesmo, submetendo-se ao senhorio de Cristo.

BIBLIOGRAFIA
PRICE, J. M. A pedagogia de Jesus. Rio de Janeiro: JUERP, 1980.
SCOTT, S. K. Os segredos da liderança de Jesus. Rio de Janeiro: Vida Melhor, 2013.

EBD 2º TRIMESTRE LIÇÃO 04: A TENTAÇÃO DE JESUS






Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD






Texto Áureo Hb. 4.15  – Leitura Bíblica  Lc.4.1-13



INTRODUÇÃO
O autor da Epístola aos Hebreus diz que Jesus foi tentado em tudo (Hb. 4.15). É a respeito desse assunto que estudaremos na aula de hoje. Inicialmente destacaremos a atuação de Satanás na tentação. Em seguida, refletiremos como Jesus venceu a tentação, através de uma vida consagrada e do uso das Escrituras. Ao final mostraremos como o cristão, seguindo o exemplo de Jesus, poderá vencer as tentações.

1. AS TENTAÇÕES DE SATANÁS
Satanás é o adversário, o inimigo dos servos de Deus, e se aproxima para tentar. Ele deseja incutir a dúvida nos corações dos crentes (Lc. 4.3,9). A primeira tentação do inimigo consistia em fazer Jesus usar seu poder em benefício próprio. Mas Jesus rejeitou proposta de Satanás, por isso Ele é atualmente Sumo Sacerdote, de modo que nos compreende e nos assiste em nossas tentações (Hb. 2.16-18; 4.14-16). Diferentemente do primeiro homem, que não resistiu às afrontas de Satanás, caindo em pecado. O segundo Adão venceu os poderes dos inimigos, resistindo às forças do mal. Para vencer a tentação, dependemos das mesmas armas que Jesus utilizou: oração (Lc. 3.21), o amor do Pai (Lc. 3.22), o poder do Espírito (Lc. 4.1) e a Palavra de Deus (Dt. 8.3). Uma das fontes do pecado é o egoísmo humano, Satanás pode se aproveitar dele para distanciar o cristão de Deus. Jesus venceu a tentação porque se fez servo, não usou seus atributos em benefício próprio (Fp. 2.5-8). Os crentes que quiserem vencer a tentação devem rejeitar todo e qualquer tipo de glória humana. A tentação de ser maior do que os outros pode levar à ruina. A Palavra de Deus nos é suficiente para alimentar nossa vida espiritual, mas a fama dos homens pode atrofiar a alma (Sl. 119.103; Jr. 15.16; I Pe. 1.2). Muitos cristãos estão se distanciando da fé porque querem a glória que somente será recebida na eternidade no tempo presente, sem cruz não há glória (Lc. 24.25-27).

2. JESUS VENCE PELAS ESCRITURAS
Satanás quer nos fazer desacreditar do amor do Pai, também a esperança em um reino vindouro. Por isso motivo, muitos estão trocando a expectativa pela eternidade pelos bens terrenos (Hb. 12.1-3). O inimigo utilizou indevidamente as Escrituras, tentando distorcê-la a fim de fazer Jesus pecar (Sl. 91.11,12). A resposta de Jesus, sempre fundamentada nas Escrituras (Mt. 4.7), revela a exegese apropriada dos textos. Ninguém pode compreender as Escrituras sem atentar para Jesus, sua chave de interpretação (Lc. 24.47). A leitura da Bíblia precisa ser feita apropriadamente, atentando para os princípios hermenêuticos, caso contrário o texto poderá ser instrumento para a queda. Uma das orientações fundamentais para compreender as Escrituras é atentar para o contexto, ou seja, para tudo o que está escrito a respeito de um assunto. A utilização de versículos descontextualizados, sem atentar para o que foi dito antes ou depois, pode resultar em aplicações indevidas. Desde o princípio Satanás quis interpretar indevidamente a Palavra de Deus (Gn. 3.1,2). Não tem sido muito diferente nos dias atuais, existem pessoas utilizando passagens da Bíblia para satisfazer seus interesses. O movimento evangélico tem caído em descrédito, em muitos contextos sociais, por causa das interpretações equivocadas de alguns textos bíblicos.

3. A VITÓRIA NAS TENTAÇÕES
As tentações fazem parte da condição humana, como aconteceu com Jesus, qualquer cristão pode ser tentado (Hb. 4.15; I Co. 10.13). Nossa oração, seguindo o exemplo do Senhor, é para não cair na tentação (Mt. 6.13), mas também devemos vigiar e orar (Mc. 14.38), e resistir às afrontas do Diabo (Tg. 4.7). Devemos ter o cuidado de não atribuir todas as tentações a Satanás, evidentemente ele se aproveita da natureza humana pecaminosa. Entretanto, o desejo desenfreado pode impulsionar as pessoas para o pecado (Tg. 1.13-15). Portanto, há momentos que o cristão deverá fugir de situações que favoreçam o pecado (II Tm. 2.22). Ainda que apenas fugir, pelas próprias forças, não é suficiente. Somente poderão vencer as tentações àqueles que consagrarem suas vidas a Deus (Rm. 12.1,2). Tenhamos cuidado com os pecados que foram naturalizados, e que muitos caem sem atentarem para o perigo, um deles é a ganância, que tem levado muitos à perdição, inclusive obreiros da seara (I Tm. 6.9,10). Os primeiros pais pecaram porque colocaram os olhos naquilo que não deveriam, a soberba dos olhos também pode levar o crente a cair (I Jo. 2.16). Por isso a advertência de Paulo: andai em Espirito e não cumprireis as concupiscências da carne (Gl. 5.17). Trata-se de uma batalha espiritual, entre forças antagônicas que habitam no crente (Rm. 7.17-20). Para vencer, é necessário INVESTIR na produção do fruto do Espírito (Gl. 5.22). O revestimento com a armadura de Deus é fundamental, para apagar as setas enviadas pelo inimigo (Ef. 6.14-17).

CONCLUSÃO
Jesus foi tentado em tudo, mas na dependência do Espírito Santo, e no poder da Palavra foi capaz de resistir. De igual modo, os crentes devem lutar contra as tentações de Satanás, bem como contra as da natureza pecaminosa. Temos a promessa bíblica de que não seremos tentados além do que podemos suportar. Por isso, devemos confiar na providência de Deus, e também vigiar e orar. Não é cristão viver na prática do pecado (I Jo. 3.9), contudo, se alguém pecar, temos um Advogado, Jesus Cristo, que nos perdoa, e nos conduz adiante (I Jo. 1.9; 2.1,2).

BIBLIOGRAFIA
STOTT, J. O incomparável Cristo. São Paulo: ABU, 2006.
SWINDOLL, C. Jesus: o maior de todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.

quarta-feira, abril 15

EBD 2º TRIMESTRE LIÇÃO 03: A INFÂNCIA DE JESUS









Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD




Texto Áureo Lc. 2.52  – Leitura Bíblica  Lc.46-49; 3.21,22


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito da infância de Jesus, reconhecendo, a princípio, que os evangelhos tratam muito pouco a respeito do assunto. Inicialmente mostraremos que como criança, Jesus cresceu fisicamente, mentalmente e espiritualmente. Em seguida, nos voltaremos para a juventude de Jesus, ressaltando sua dedicação com o serviço do Senhor. Ao final, refletiremos sobre o papel das crianças na igreja, fundamentados nas abordagens de Jesus, em relação aos pequeninos.

1. O CRESCIMENTO DE JESUS
Existem vários livros apócrifos que tratam a respeito da infância de Jesus, bem como algumas “biografias”, mas nenhum deles tem fundamentação evangélica, ou mesmo histórica. O evangelista que aborda de maneira mais detalhada a infância de Jesus é Lucas. De acordo com esse escritor sacro, Maria e José voltaram a Nazaré, para a casa onde moravam. Como Jesus era um nome comum entre os judeus, ele era denominado de Jesus, o nazareno (At. 2.22). Lucas destaca que o menino Jesus cresceu fisicamente, mentalmente e espiritualmente (Lc. 2.40, 52). Conforme alude Paulo, o Filho de Deus colocou-se na condição de servo (Fp. 2.1-11), sujeitando-se inteiramente ao Pai. Com base na palavra grega helikia, em Lc. 2.52, podemos afirmar que Jesus cresceu em estatura. O corpo, diferentemente do que assumem alguns cristãos, não é mau, antes é o tabernáculo do Espírito Santo (I Co. 3.16,17). O crescimento físico de Jesus deve inspirar-nos a cuidar bem do nosso corpo (Ef. 5.28). O texto também declara que Jesus cresceu em sabedoria, isto é, em conhecimento. Como homem, ele buscou desenvolver a psique, enchendo-se de sabedoria (Lc. 2.40). Assim como fez Jesus, e também orientou Paulo a Timóteo (II Tm. 3.15), devemos INVESTIR no crescimento mental, sobretudo por meio da meditação na Palavra de Deus, mas também lendo bons livros (II Tm. 4.13). O crescimento de Jesus envolveu também a dimensão espiritual, na graça de Deus. A palavra grega é charis, ressaltando o favor divino, a vida piedosa. Cristo sempre buscou intimidade com o Pai, se Ele assim o fez, não podemos desprezar o exercício da piedade (I Tm. 4.7).

2. A JUVENTUDE DE JESUS
Lucas registra apenas um episódio na juventude de Jesus, ressaltando a devoção dos seus pais, Maria e José. Era comum os judeus irem a Jerusalém todos os anos, a fim de observarem a Pascoa. Em sua narrativa, o evangelista descreve que Jesus estava com 12 anos, e teria ido a Jerusalém, para celebrar a páscoa. Na volta, após um dia de viagem, José e Maria certamente pensaram que Jesus estava em outro grupo, nas caravanas que faziam aquele percurso. Até que descobriram que tinham perdido o jovem, o que os deixou aflitos (Lc. 2.48). Quando Maria O encontrou, Ele estava entre os mestres do templo, discutindo as Escrituras, deixando-os admirados. Sua mãe O repreendeu por ter causado aquele transtorno, compreensível do ponto de vista materno. A resposta do jovem, no entanto, demonstra seu compromisso com a missão espiritual: “Por que me procuráveis? Não sabeis que me cumpria estar na casa de meu Pai? (Lc. 2.49). Na juventude Jesus teve consciência da sua relação com o Pai, Ele sabia que estava na terra para cumprir uma missão. O comprometimento de Jesus com o serviço do Pai serve de inspiração para os jovens da atualidade. Ele cresceu de maneira equilibrada (Lc. 2.52), sem extremismos, valorizando as diferentes facetas da humanidade, sem negligenciar a vontade de Deus (Mt. 6.33).

3. JESUS E AS CRIANÇAS
Durante Seu ministério terreno, Jesus sempre se identificou com as crianças, esse inclusive é um dos destaques do Evangelho segundo Lucas. Certa feita, quando quiseram desprezar as crianças que tentavam se aproximar dEle, citou o Sl. 8.2. Cristo deu liberdade às crianças, possibilitando que essas se achegassem a Ele (Mt. 19.14). Os cinco pais e dois peixinhos, usados por Jesus para realizar o milagre da multiplicação, foram trazidos por uma criança (Jo. 6.9). Muitas coisas Deus pode fazer através das crianças, devemos seguir o exemplo do Mestre, e dar oportunidades para que os pequeninos desenvolvam seu potencial. Aqueles que tentaram privar as crianças de se aproximarem do Senhor foram por Ele repreendidos (Mc. 10.14). Devemos de igual modo mostrar indignação quando as crianças forem privadas dos seus direitos, seja no contexto eclesiástico ou na sociedade em geral. O evangelista mostra o caso de uma criança que estava possessa por um espírito mau, que tentava destruí-la, mas que fora liberta por Jesus (Mc. 9.22). Tenhamos cuidado das crianças, para que essas não fiquem à mercê das forças do mal, sob a influência dos programas televisivos e jogos de vídeo game. O Jesus dos evangelhos, chama as crianças para junto de Si, Ele as atrai graciosamente (Lc. 18.16). Jesus ressuscitou a filha de Jairo, demonstrando interesse por ela, ainda que fosse desprezada pela sociedade (Lc. 8.54).

CONCLUSÃO
Jesus foi criança, e também jovem, e compreende os desafios inerentes a esse período de amadurecimento. A identificação do Mestre com as crianças e jovens serve de inspiração para que os cristãos busquem atrair essas pessoas ao convívio da comunidade cristã. Não podemos esquecer que quando os discípulos disputavam entre si, a respeito de quem seria o maior, Jesus pôs uma criança no meio, destacando que quem quisesse ser o maior, que fosse como uma criança (Mt. 18.1-6).

BIBLIOGRAFIA
MARSSHALL, I. H. Luke: historian and theologian. Downers Grove: IVP, 1998.
WEIRSBE, W. Be compassionate (Luke 1-13). Colorado Springs: David Cook, 1988.

EBD 2º TRIMESTRE LIÇÃO 02: O NASCIMENTO DE JESUS





Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD







Texto Áureo Lc. 2.7  – Leitura Bíblica  Lc.2.1-7


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos sobre o nascimento de Jesus, destacaremos que o milagre da encarnação foi singular, e trouxe implicações diretas para a vida dos cristãos. Inicialmente meditaremos a respeito do nascimento propriamente dito, e o contexto no qual ocorreu. Em seguida, nos voltaremos para aqueles que testemunharam essa ocorrência, notadamente os anjos e pastores. Ao final, faremos uma interpretação teológica, do significado desse episódio para história da humanidade.

1. O NASCIMENTO
Cesar Augusto era o governante da Palestina, talvez como político pensasse que estava no controle das situações. Mas Deus, em Sua soberania, estava regendo todas as coisas, usando inclusive o imperador para levar Maria e José até Belém, uma pequena cidade da Judeia que distava cerca de 130 quilômetros de Nazaré. Aquele casal, após receber a revelação do anjo, aprendeu a depender da orientação divina. Maria declarou: “que se cumpra em mim conforme a tua palavra” (Lc. 1.38). O anjo Gabriel foi enviado a Nazaré, onde moravam José e Maria, sendo ela ainda noiva daquele. O anjo anunciou a Maria que ela teria um filho, sem que tivesse relações sexuais, quando descesse sobre ela o Espírito Santo (Lc. 1.35). O nascimento de Jesus, por conseguinte, foi sobrenatural. Nossas vidas, assim como a de Maria, devem estar nas mãos de Deus, nada deve nos dissuadir da fé (Hb. 11.1,6). Não podemos esquecer que Deus está no comando da história, portanto, não temos motivos para temer o futuro. Ele é o Deus dos impossíveis, aquilo que o homem não pode fazer, o Senhor é capaz, pelo Seu poder. Quando Jesus estava para nascer, não houve lugar nos alojamentos de Belém. Restou um estábulo, no qual se encontrava uma manjedoura, que Lhe serviu de berço. Aquele objeto era uma espécie de cocho para os animais (Lc. 2.7-16), naquele pequeno recipiente se encontra o próprio Deus. Em Belém, cujo nome em hebraico significa “casa de pão”, nasceu aquele que é o “Pão da vida” (Jo. 6.35). Nele encontramos a plenitude da divindade (Cl. 2.9).  Em Cristo, o Verbo se fez carne, e habitou no meio de nós, cheio de graça e de verdade (Jo. 1.1,14), esvaziando-se, e assumindo a condição de servo (Fp. 2.7).

2. ANJOS E PASTORES
Quando Jesus nasceu os anjos se maravilharam, por isso Paulo se referiu a esse acontecimento ressaltado a grandeza do mistério da piedade (I Tm. 3.16). A mensagem chegou primeiramente aos pobres, um grupo de pastores desconhecidos, que se encontrava no campo. O evangelho alcança prioritariamente os pobres, aqueles que são considerados ESCÓRIA da sociedade (Lc. 1.51-53; I Co. 1.26-29). Esses pastores testemunharam a glória do evento, o cumprimento da revelação angelical: “Eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo”. Essa declaração nos mostra que a salvação é para todos, que se trata de uma notícia de paz, que nos traz grande alegria. Conforme declarou o filósofo Epiteto, “o imperador pode fazer cessar a guerra, dando paz a terra e aos mares, mas não é capaz de fazer cessar a paixão, aflição e inveja. Não é capaz de dar a paz ao coração, pela qual o homem anseia mais do que qualquer outra paz interior”. Jesus é o Príncipe da paz (Is. 9.6), Ele prometeu nos dá a paz que o mundo não conhece (Jo. 14.27), essa paz é produzida em nós pelo Espírito (Fp. 4.7). O evangelho de Jesus Cristo, ainda que alguns religiosos queiram transformá-lo em más notícias, é uma mensagem alvissareira, que deve nos fazer saltitar de alegria. Os pastores foram impactados pela boa-nova, o espanto da visitação de Deus aos homens deve sempre ser motivo de espanto. Como declarou certo pregador, após a nave espacial Apolo 11 pousar o solo lunar, “o maior acontecimento de todos os tempos não foi o homem ter pisado na lua, mas Deus ter pisado na terra em Cristo Jesus”. Devemos, assim como fizeram os pastores ao encontrar a criança, adorá-Lo, em gratidão pela sua graça maravilhosa (Lc. 2.13,14).

3. O SIGNIFICADO
Jesus nasceu sob a lei, obedecendo a seus preceitos (Gl. 4.1-7), de modo que Ele não veio para abolir, mas para cumprir a lei (Mt. 5.17,18).  Por isso fez-se necessário que Ele fosse circuncidado ao oitavo dia, mostrando Sua ligação com o pacto abraaonico (Gn. 17). O nome da criança traz um significado profundo “Yahweh é a salvação” (Mt. 1.21). Jesus não foi apenas um iniciador religioso, muito menos um líder revolucionário. A vinda de Jesus a terra é a manifestação do próprio Deus, que se fez gente a fim de salvar a humanidade do pecado (Lc. 2.10). Os antigos aguardavam ansiosamente a vinda do Messias prometido. Simeão e Ana representam essa expectação, que se cumpriu em Cristo (Lc. 2.29). Simeão, em sua idade avançada, identificou Jesus como “a consolação de Israel”. Ele somente pode fazê-lo porque estava em consonância com a Palavra de Deus. Somente os que se firmam nas Escrituras podem testemunhar o cumprimento das promessas divinas. A morte e a ressurreição de Jesus trariam dores para Maria, mas através desses eventos, o mundo seria salvo do pecado (I Tm. 2.5,6). Ana, uma mulher cujo nome significava graça, também de idade avançada, foi uma das 43 mulheres citadas no evangelho segundo Lucas. Ela se encontrava no templo, uma pobre viúva que colocava sua esperança em Deus. Aquela mulher idosa foi usada pelo Senhor para transmitir a mensagem salvadora do Senhor. As vidas de Simeão e Ana mostram o significado que os idosos têm no reino de Deus, ninguém despreze as pessoas idosas por causa da sua idade avançada. Devemos fazer coro às palavras do salmista: “na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes” (Sl. 92.14).

CONCLUSÃO
O nascimento de Jesus foi um evento singular, com significado especial para todos aqueles que creem. Ele foi desprezado até mesmo em Seu nascimento, mas aprouve a Deus revelá-Lo aos pobres, aqueles que se consideravam indignos. Ainda hoje, todos aqueles que se dobram diante dessa mensagem, jubilam com a declaração angelical, reconhecendo que essa é uma boa notícia, que enche nossas almas de paz, e que nos traz grande alegria.

BIBLIOGRAFIA
GREEN, J. The theology of the gospel of Luke. Cambridge: CUP, 1995.
WEIRSBE, W. Be compassionate (Luke 1-13). Colorado Springs: David Cook, 1988.
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